Implantologia Oral

prof-dr_wilson O dia-a-dia dos grandes tratamentos bucais com implantes
…A Implantologia Oral não precisa, e nem deve, tentar reinventar a roda.

 Prof. Dr. Wilson Grigolli
Director Clínico da Flex Medicina Dentária
Implantologista da Cliortodôntica

 

Quando fui convidado por meu colega de trabalho, Dr. Olívio Dias, a quem imensamente respeito e admiro, para escrever acerca das reabilitações mais complexas na área da Implantologia Oral, um turbilhão de ideias vieram- me a mente, contudo receei que acabasse por cair no lugar-comum de termos técnicos, em um artigo longo e enfadonho. Optei então por um texto que verdadeiramente tentasse esclarecer o assunto, de modo simples e objectivo.

Primeiramente devo esclarecer que a Implantologia Oral não deve ser encarada como algo recente na Medicina Dentária, visto que o primeiro caso efectuado pelo Professor Per-Ingvar Bränemark, divulgador da filosofia actual na área, já tem mais de 4 décadas. Durante estes mais de 40 anos as pesquisas foram intensas, aprimorando-se a técnica, alargando as indicações e reduzindo o tempo de conclusão dos casos.

Vamos encarar como “tratamentos complexos”, aqueles onde o doente apresenta uma situação bucal amplamente comprometida, como perda de muitos dentes, senão todos, dentes remanescentes com grandes envolvimentos, reduzida quantidade e qualidade de tecido ósseo, disfunções gerais na mastigação.

Actualmente, não tenho dúvidas em afirmar categoricamente que não há casos que não possam ser tratados por meio de implantes orais. A diversificação técnica e o conhecimento acumulado destas 4 décadas assim o asseguram. Com mais de 18.000 implantes instalados, em mais de 20 anos de actividades de ensino, pesquisa e clínica, tenho cada vez mais a certeza que o sucesso na área depende de alguns factores básicos:

  • Profundo conhecimento da Biologia Oral, dos tecidos que compõem este sistema tão intrínseco, e do comportamento dos mesmos frente a qualquer acto cirúrgico que se proponha conduzir.
  • Vasta experiencia clínica do cirurgião responsável por estas cirurgias mais extensas. Lembre-se que qualquer profissional deve galgar seus degraus de maneira sensata e equilibrada, sob o risco de tropeçar. O treinamento que tais casos exigem por parte do cirurgião é exaustivo e altamente técnico, e atenção, isto transcende meia dúzia de cursos ao final de semana, estamos a falar de anos de formação.
  • Trabalho de equipa é crucial no sucesso. Tais equipas devem ser compostas por membros experientes e absolutamente integrados, representados por um cirurgião, um protesista (Médico Dentista especialista em prótese dental), um adequado laboratório de suporte técnico e um grupo de assistentes treinadas e qualificadas.
  • Minucioso planeamento clínico do caso, não havendo lugar para tentativas ou desacertos.

Podemos de maneira rápida agrupar as situações mais complexas para esclarecer as modalidades de tratamento em 3 grandes grupos:
Casos onde há um grande comprometimento dos dentes remanescentes, usualmente com mobilidade dos mesmos. Nestas situações podemos perfeitamente efectuar a instalação dos implantes simultaneamente às extracções dentais, confeccionando uma prótese fixa no prazo máximo de 48 horas; é a modal idade conhecida como função imediata, divulgada no final da década de 90 e cientifica e clinicamente comprovada, desde que correctamente indicada e conduzida.

Casos onde já ocorreram a perda de todos os dentes, ou quase todos. São os doentes que já utilizam próteses totais ou parciais extensas, amovíveis. Também aqui podemos utilizar o protocolo de função imediata e reabilitar o caso em 48 horas.

Casos onde há extensa perda do osso do maxilar superior, comum em pacientes que usam prótese total superior a muitos anos. Nestes casos, onde não há osso viável no maxilar, podemos recorrer a outro osso que compõem a face, chamado zigomático. Embora um pouco mistificado por alguns, é um procedimento altamente seguro e eficiente, podendo ser associado com o protocolo de função imediata. Ainda mais do que nos demais casos, aqui o cirurgião necessita de treinamento extremamente específico e vasta experiência técnica.

Mesmo em situações clínicas com lesões ósseas mais severas é possível a elaboração de um plano de tratamento que envolva a reabilitação por meio de implantes. Na visão de um cirurgião mais experiente não há somente a preocupação em remover a lesão existente, como por exemplo grandes cistos que destroem consideráveis partes de tecido ósseo, lesões ósseas benignas mas com severo poder lítico, ou mesmo situações de cancro oral. Temos disponível uma vasta gama de técnicas e materiais que nos permitem a recuperação de extensas lesões ósseas, senão na sua totalidade, em considerável parte, viabilizando a posterior reabilitação com implantes.

Gostávamos de exemplificar por meio de imagens de alguns casos clínicos as situações que reabilitamos no nosso dia-a-dia. Muitos destes pacientes nos foram enviados como casos em que a reabilitação com implantes não era considerada indicada, entretanto com algumas variações da técnica clássica, e um elaborado trabalho de equipa, nos foi possível soluciona-los, em intervenções cirúrgicas na própria clínica, sob anestesia local, com reduzido tempo cirúrgico e desconforto mínimo a nível do pós-operatório. Em todas as situações apresentadas foram instaladas pontes fixas aparafusada nos implantes no período máximo de 48 horas a seguir ao término do procedimento cirúrgico.

Casos Clínicios 1 e 2

– Pacientes com doença periodontal avançada e mobilidade dental generalizada. Efectuado instalação de 12 implantes imediatamente após as extracções dentais e conclusão protésica em 48 horas.

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Caso Clínicos 3

Paciente com doença periodontal, alto comprometimento estético, disfunções mastigatórias e mobilidade dental generalizada na arcada superior. Reabilitação completa em 24 horas.

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Caso Clínico 4

Paciente com grande número de dentes perdidos e indicação de extração dos demais. Conclusão em 48 horas.

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Caso Clínico 5

Paciente desdentado total. Imagens clínicas imediatamente a seguir ao término da intervenção cirúrgica de instalação de implantes e ponte fixa instalada em ambos os maxilares em 48 horas.

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Caso Clínico 6

Paciente com severa discrepância maxilo-mandibular devido a comprometimento dental. Note o resultado obtido 24 horas após a intervenção.

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Caso Clínico 7

– Paciente com extrema reabsorção óssea do maxilar superior, onde a reabilitação convencional com implantes não seria viável. Optamos pela instalação de implantes zigomáticos, em procedimento executado sob anestesia local no consultório e prótese fixa final em 24 horas.

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Relação Custo/Beneficio

Certamente não preciso me estender sobre os benefícios gerados: melhora efectiva da mastigação, preservação da estrutura óssea, estabilidade da oclusão, conforto funcional e estético, dentre outros.

Penso que talvez parte deste pensamento do “é muito caro” não passe de um dogma, e que numa análise mais sensata por vezes acabaríamos por dar mais importância a nossa saúde do que actualmente fazemos. Muito cuidado ao fazer pesquisa de valores nesta área; agrupe sempre a qualidade na sua análise, e use seu bom senso ao ponderar as hipóteses, verá certamente que entre o branco e o preto há muitos tons intermediários de cinzento, que podem ser muito mais interessantes e lógicos.

Médico Dentista – Dr. Olivio Lopes Dias – O.M.D.6480